Tuesday, August 18, 2009

Agosto


Estou a quatro dias de entrar de férias e as minhas palminhas já estão a suar com antecipação do não fazer nenhum que se avizinha. Este ano vou dar uma saltada à Croácia, aquele país onde a moeda se chama Kuna, ou seja, só um pouco ao lado daquela palavra que nos vem logo à mente, o que já vai dar para um par de risotas cada vez que pagarmos qualquer coisa, além de ser a mais forte candidata à moeda Pachanga, já que é o único sítio do mundo onde alguém é sincero e te diz que para conseguires um par de Jimmy Choo tens de dar p'raí umas 10 000 konas.

Lembro-me que até há bem pouco tempo, não dava grande importância às férias. Naturalmente que tivesse de ver com o facto de não trabalhar ou pouco trabalhar durante o ano. Agora percebo aquelas pessoas que dizem que o tempo de trabalho só vale a pena para aqueles 22 dias mágicos, de sol e não fazer peva. É o verdadeiro oasis do trabalhador. Ele existe.

Outra coisa que nunca partilhei com a gente veraneante do meu país, é a corrida ao Algarve em Agosto. Criada que fui a menos de dez quilómetros da praia por essas terras, o percurso da minha famelga era precisamente o contrário. Ou seja, fugir de lá com tudo o que tínhamos. Desde criança que o Agosto era para mim sinónimo de interior, de cidades, de montes verdes, alguns lagos e rios, e raras raras vezes, areia e água do mar. Claro que basta um ano de trabalho para te por a desejar a praia sempre que possas, Agosto incluído. Não precisamente no Algarve, contudo.

Quase toda a gente que conheço passou grande parte de Agosto em Lisboa. E eu até gosto de Lisboa em Agosto, mas volto a achar curioso que nós Pachangas, à semelhança do ano passado, não nos tenhamos conseguido encontrar neste mês. Não existe no calendário Pachanga. E isso que ele fica em plena época aberta de correr nuas.

E este acabou por ser daqueles posts de quem não tem mai nada para escrever. Depois reportarei, se algo de jeito houver para dizer, da temporada pelo país das konas, dos lagos e da aparente tendência para começar todas as palavras com K.

Tuesday, August 11, 2009

urgências vs Urgências

Ontem estive em duas urgências desta Lisboa. Não foi por nada de especial, apenas duas feridas que consegui fazer num pé e na perna do outro lado, ao cair, depois de ser atropelada por uma pedra. Tinha as pernas inchadas e tal e decidi ficar descansada por ouvir alguém dizer, o inchaço é normal por causa do trauma da pancada que te fez ir com os cornos ao chão. Bem comecei pelo Santa Maria, que fica ali a jeito perto de casa. Mal paramos o carro deu para ver que estava bem concorrido, mesmo assim la dei o nome para ir a triagem, para a qual esperei uns 20 minutos para lá estar 2. É que o que eu queria mesmo é que alguém com conhecimento de causa olhasse e até apalpasse um pouco a zona magoada para me informar se a coisa podia esperar até marcar uma consulta noutro sitio qualquer e dessa forma não ajudar a encher as urgências deste país. Pois não. O enfermeiro nem desviou os olhos do computador e lá me pôs a fita verde, que mais parece uma pulseira de entrada num festival de Verão do que o tempo que tens de estar à espera para ser atendida no maior hospital público do pais. A fita verde era de esperar, o que é que eu queria, afinal são só uns cortes, mas se eles fazem isto com toda a gente que se lembra de ir para as urgências só porque sentem que lhes vai doer a cabeça, não me admira nada que estas estejam sempre cheias de facto. Posso ser só eu que não percebo nada disto, mas se a triagem é feita por enfermeiros, pessoas que estudaram para tal, porque é que a observação inicial dos doentes to be não é mais aprofundada de modo a re-direccionar casos que não precisam de ser urgentes para fora das urgências? Tipo, marque a consulta amanhã ou depois, escusa de estar aqui a esta hora. Vá dormir

Bem dali mandam-te para um outro Gabinete, ao qual fui espreitar o ambiente. Escusado será dizer que a sala de espera estava cheia, com doentes em maca e malta que não parecia ter nada como eu, a conviver em menos de 20 metros quadrados de espaço. Fugi, naturalmente que fugi, cá para fora primeiro e depois já ia a fugir para casa, quando, por sugestão e por ver o ar ainda preocupado dos pais, fugi para as Urgências do Hospital da Cruz Vermelha. Eu não sou defensora dos hospitais privados e até acho que o argumento da qualidade no atendimento, funciona mais como prova de que o nosso sistema de saúde sucks do que como ponto a favor dos privados. De qualquer das formas pago um seguro de saúde do qual pouco usufruo há já vários anos por isso lá fui ver como é que aquilo funciona na Cruz Vermelha. A coisa é logo diferente porque através de telefone indicam-te se o especialista na área que te aflige está no hospital. Como estava, lá fui. Além de só estar uma pessoa à minha frente, ainda entrei antes dela, acabei mesmo por sair antes da senhora entrar!!!, porque só lá estive o tempo da sô dotora mal olhar para as minhas pernas, balbuciar, coisas incompreensíveis, nem me dizer se o gelo era a solução para as partes inchadas e lá pedir a enfermeira com ar de quem preferia estar no Sudoeste a estar ali, me fazer um curativo com ... betadine. Coisa que eu já tinha feito umas duas vezes. Ainda por cima o penso ficou a puxar-me a pele e tive de o tirar por causa das dores enquanto tentava dormir. Vá, teve uma boa meia hora de vida útil. E nem digo quanto é que paguei pelos quinze minutos que lá estive.

Estou com mais dores e ainda me custa mais a andar, mas penitencio-me por ter saído de casa ontem à noite. E espero sinceramente não ter nada de grave nos próximos tempos. É que nem público nem privado. Vá lá que tanto a Cruz Vermelha como o Santa Maria são bons hospitais.