Thursday, October 20, 2005

Uma Aurora para alegrar o dia


Vi um filme muito bonito, há quem diga até que é o filme mais bonito de sempre, mas isso já fica à consideração de cada uma ou um.
A história é tão simples que desarma: marido, mulher e amante. Um casal do campo vê a sua harmonia familiar alterada pela chegada de uma mulher da cidade à qual ele não resiste. A mulher sabe e sofre em silêncio. Um dia a amante propõe matar a mulher para venderem a quinta e irem para a cidade. O marido, fraco face aos encantos da mulher moderna, acede. O fatal dia chega e ele leva em frente o seu plano, mas quando chega a hora desiste. A mulher percebe e foge. E foge tanto que acaba por ir parar à cidade com ele sempre atrás dela. E é neste momento da história que nos apercebemos que os filmes mudos têm muito para ensinar aos seus primos sonoros. Na beleza e simplicidade de contar uma história apenas pelas imagens. Que mais é o cinema além disto? Entre o desespero latente dele e a mudez muda dela apenas com a música de fundo, Murnau cria uma das mais geniais sequências que já vi em cinema, e que acaba com um casamento que é no fundo a celebração do amor que podia ser o deles dois, que podia ser o que se entoa em todos os compromissos, o que se canta em todas as promessas. E que melhor local para ele se aperceber que ela é afinal o grande amor da sua vida, do que a própria cidade, no meio de todo aquele caos de movimento e ilusão, o qual eles parecem percorrer com a certeza sem medo da qual são feitos os melhores sonhos.
Mas como um difícil acordar, eis que chega o drama em forma de tempestade e de repente o realizador arranca-nos do cantinho confortável que nos tinha ajudado a construir e atira-nos para um misto de tristeza e angústia. E é tudo feito de forma tão simples que aceitamos quase a seguir a reviravolta para o desfecho feliz e acabamos a ver a tela preta com um sorriso nos lábios preparado para receber a última lágrima a cair.
Amigas Pachangas, alarguemos o nosso universo. Esta Aurora de vultos sem nome é no fundo a história de todas as histórias românticas.
PS: E reparem no chame discreto do protagonista masculino. Interessante o Sr George O' Brien. O filme é de 1927.

5 Comments:

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Blogger Comboio Azul said...

Bravo, bravíssimo! Não há melhor crítica.

Estou a ver que gostaste mais do senhor O'Brien com a barba feita...

08:35  
Blogger Pacharita said...

Por acaso não, mas não encontrei nenhuma foto que se aproveitasse dele com a barba por fazer. Foi o que se conseguiu arranjar e também não está mal.

16:03  

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