Monday, June 08, 2009

Correr nua versão electro



Estes franceses e francesas é que sabem-na toda. Haviamos de pegar nas Marias e nas Josefinas deste Portugal, pelo no buço incluido, e po-las a descer a Rua da Madalena como vieram ao mundo.

Friday, June 29, 2007

Encontros imediatos em Lyon

"Tão giro", disse ela. "Vou subir até lá cima para ter uma vista priveligiada sobre a cidade". Aquela coisa parva que todos os turistas fazem quando visitam os sítios, subir ao ponto mais alto para tirar aquelas fotos chatas que depois mostramos aos amigos em intermináveis sessões nocturnas.

Durante quase uma hora, onde devo ter despejado sensivelmente meio volume de tabaco dos meus pulmões, subi à colina do Fourvière, em Lyon, por umas escadinhas intermináveis. Decidida, não parei para descansar e subi, como se não houvesse amanhã. Chegada ao cume, qual João Garcia numa expedição a uma qualquer montanha de nome impronunciável, não coloquei a bandeira tuga, porque me parecia excessivo, mas orgulhei-me de meu feito.

Sorri, de cabelos ao vento e avancei para o parapeito do miradouro, de forma a apreciar o ar puro e a bonita vista da cidade.

As minhas pernas tremiam um bocado, e os gémeos (não os guedes) gritavam baixinho "senta-te, estica as perninhas". Contrariei os músculos e durante exactamente 6 segundos apreciei a vista. Até ser interrompida por um sexagenário predador sexual de dentes de ouro e lenço à Lord Byron, que balbuciou qualquer coisa em francês. "O que é que a menina faz?", "Ah é tão nova para trabalhar!" "quer que lhe mostre o cerco romano?" foram algumas das frases proferidas pelo dito senhor, enquanto ajeitava os seus óculos de massa de fundo de garrafa, com luxúria.
Fugi rapidamente e comecei a andar para descer aquela colina infernal. Numa ruela de escadas, escura e fria, descia a passo rápido, até que uma senhora, também ela idosa e portadora de um buço que faz inveja a muito homem, me pediu para a acompanhar, porque tinha muito medo de cair. Lá fui, trocando impressões com a idosa, a passo de caracol. No final, ainda levei uma beijoca da senhora (que picou como o caralho na minha delicada face).

Hoje não me consigo mexer, como se tivesse praticado o sexo com toda a selecção de basquetebol angolana (ainda bem que não é a de futebol). E não vi grande coisa lá em cima, pois fugi vergonhosamente do idoso de óculos de massa. Não se faz turismo na terra em que trabalha.

Thursday, April 17, 2008

Vidas


Hoje, só hoje, descobri que existe uma agência de viagens que tem um programa chamado Escapadela Luxuosa Sexo e a Cidade.

Ora o que a boa da agência propõe são quatro dias a viver como as quatro meninas da série. Cada dia dedicada a uma delas se essa for a vontade da cliente.

A coisa começa logo no aeroporto onde te oferecem uma mala e um colar iguais ao que a Sarah Jessica usa em tantos epis. Aquele bonito que diz Love ou faço bons blow jobs, ou que raio é. Depois dão-te para a mão vales de compras para lojinhas como a Saks Fifth Avenue, Bergdorf ou my personal favourite Jimmy Choo.

Ainda estamos no táxi. Aliás, estamos num automóvel de luxo a bebericar champagne e a receber tratamento completo de manicure e pedicure. O hotel dizem eles que é à escolha, entre eles claro o Plaza Athené, onde Carrie reencontra Big no último episódio, só que em Paris. Os restaurantes andam pelo Balthazar e o Pastis, que são franceses também. Pela fresca da noite, vais abanar o corpil para o Bungalow 8, ou outros do género. Onde aposto que não te servem uma mini de sagres mas pronto.

Agora a parte boa. O preço? EHEHEHHE!!! É um pequeno carrito. 15 000 deles. Diz a notícia que o primeiro tour está esgotado. Entre 23 e 28 de Maio um grupo de doze privilegiadas, a quem desde já vou chamar prostitutas, vão até a City mesmo a tempo de assistir à ante-estreia do filme, no dia 27. Curiosamente a primeira cliente é de Singapura onde a série é proibida.

Para os homens há o pacote Mr. Big, que promete de tudo menos as dimensões que o nome sugere.

Como diria o falecido Pessa. E esta ah?

Esta seria uma boa frase para me ir embora, mas tudo isto fez-me imaginar o que seria criar viagens parecidas mas segundo o imaginário nacional. Já estou a ver, o pacote Escapadela Lavadinha, baseado no filme A Aldeia da Roupa Branca, onde as sortudas iriam uma semana para a Moimenta da Beira, com tratamento exclusivo de manicure versão frieiras, e doses intensivas de hormonas para o crescimento rápido de um pequeno buço. Ou então, o pacote Escapadela Shopping, onde tudo começa com uma ida ao cabeleireiro de onde se sai com um pequeno animal morto na cabeça e unhas de gel, seguida de viagem de mercedes até ao outlet mais exclusivo, com oferta de malas a dizer Calvine Kleine e almoço e jantar incluído em cadeias de francháise de restaurantes que metem Grill, Co ou Steak no nome. À noite claro não faltará claro o pezinho de dança no Indochina. Um caso a pensar não é?

Monday, May 22, 2006

Algumas dúvidas perdidas

A 2ª temporada daquela série que temos seguido todas(os) um pouco (seja por ódio ou vício) acaba esta semana lá pelos States, no entanto muita resposta ainda está para vir. Aqui estão algumas perguntas e claro, teorias.

1-Pergunta: Onde é que as meninas vão à depilação?

Teoria: Deve haver uma senhora muito bem arranjada e de manicure impecável que calcorreia os km de costa e de selva com a sua pochete maravilha. Já estaria na ilha antes dos nossos heróis porque terá ouvido dizer que é costume gente bonita ter acidentes de avião por aquela zona.
O mistério que a rodeia é a explicação para um rara capacidade de fazer 4 mãos, 8 buços e 16 sobrancelhas ao mesmo tempo. Pouco convencidas? Reparem no não buço perfeito da Claire ou na sobrancelha milimétrica da Kate.


2- Pergunta: Como é que o cabelo do Charlie está cada vez mais loiro e o corte cada vez mais fashion?

Teoria: A mais forte possibilidade é que uma daquelas personagens que lá andam em segundo plano seja o cabeleireiro Eduardo Beauté. Desaparecido da vida social portuguesa terá embarcado na fatídica viagem depois de ter ido estudar o chamado corte kanguru, um inovador pôr de cabelo inspirado pelo marsupial animal. Beauté será também o responsável pelo misterioso desaparecimento de todos os frascos de água oxigenada. Charlie é o seu único cliente porque prometeu compor uma ópera-rock baseada na vida do cabeleireiro e protagonizada por Vanda Stuart. Ultimamente correm rumores de que anda a fazer propostas a Sawyer para lhe fazer uma crista e depilar os três pelos que ele tem no peito.

3- Pergunta: Donde vêm as roupas novas e feitas à medida com que aparecem algumas personagens?

Teoria: É mais que provável que os Outros sejam na realidade estudantes de moda a fazer um estágio na paradisíaca ilha. De que outra forma se poderia explicar que as personagens que são raptadas ou que desaparecem sejam as que depois aparecem melhor vestidas? O aspecto maltrapilho e sujo com que se apresentam faz parte do processo de aprendizagem, num evidente recuo ao lado selvagem e puro do homem em confronto com a natureza. A guru e professora será a francesa Rousseau e diz-se que terá prendido o seu companheiro Giorgio, porque este sofre de demência por acessórios. O próximo passo será o naturismo e não haverá um episódio sem que não haja alguém a correr nu pela praia ou pela floresta.

4- Pergunta: Porque é que as gajas que fazem o amor na ilha sem ser casadas têm tendência a morrer?

Teoria: Sobre esta controversa questão a proposta com mais adeptos é a de que quem regula a ilha seja na verdade Elton John e que se estará a livrar de mulheres sem pudor que se dão a qualquer um. Ou até de todas as mulheres já agora. Quem não se importa é o gajedo, assim há menos lambisgóias a passearem-se semi-despidas pela ilha.


5 – Pergunta: Porque é nenhuma delas se atirou para cima do Dr. Jack até agora?

Teoria: É bem possível que o stress pós traumático e o efeito da ilha, tenha provocado um estado de completa paragem cerebral no mulherio perdido. As personagens Shannon e Ana Lucia terão encontrado a cura quando se encavalitaram no Sayid e no Sawyer, mas foi sol de pouca dura. Também o facto da personagem Kate ser uma mistura da de Glenn Close em Atracção Fatal com a Princesa Xena inspira decerto alguma apreensão nas outras.
Com tanta falta de carinho, os próprios Jack e Sawyer já começaram a desenvolver algum afecto comum, o que pode vir a comprometer a reprodução na ilha. E nos leva a...

6- Pergunta: Será que as meninas têm os ciclos menstruais normalizados?

Teoria: Esta algo sensível questão é imediata, se bem que não verbalizada, na mente de qualquer membro do sexo feminino que se imagine presa numa ilha deserta. A teoria é a de que o poder magnético do local tenha alterado todo o sistema reprodutivo de cada uma delas, permitindo-lhes engravidar mas não cumprir o ciclo completo. Ou isso, ou estão todas grávidas de pequenos anões coloridos e vão dar à luz exércitos de anõezinhos prestes a invadir o resto da terra.

Wednesday, February 08, 2006

Adaptação Desesperada



Já que estão na moda as adaptações, porque não a versão à portuga de outro seriado virado para o gajedo, que até tem um título bastante aplicável à mulher lusa? Estas poderiam ser as seis personagens principais:

Susana Aurélia- Divorciada de 39 anos. Ganhou muito peso depois de saber que o marido a tinha traído com uma loira de 1,80m, que mais tarde se veio a descobrir já ter sido um moreno de 1,80m. Perdeu os quilos a mais à custa de muito exercício, mas vive obcecada com as estrias e a celulite por isso divide o seu tempo entre besuntar-se de cremes e andar com a prima Claudette, que tem 56 anos e vive atormentada por uma hérnia discal.
Neurótica q.b. tem uma filha de 17 anos, sobre a qual diz a quem quiser ouvir que são as melhores amigas. Com tanta proximidade é estranho que desconheça que a filha já fez um aborto, saiu da escola e planeia ir viver com o Zé, que trabalha num call center na cidade e vive com o irmão, a mulher do irmão e os seus três filhos numa casa com 2 assoalhadas

Lisete Maria- Com 40 anos e muito bem casada com o seu namorado de infância, esta brilhante estudante de Contabilidade, deixou para trás uma vida de sucesso após sucesso no mundo fiscal para se dedicar à família. Com quatro filhos e uma hipoteca a 50 anos, Lisete é uma mulher conformada. Divide o seu tempo entre limpar, lavar e ralhar, gerindo a casa com o punho de ferro que caracterizava a sua performance profissional.
Com tanto tempo ocupado, descuidou um pouco a sua imagem sendo vista frequentemente a usar fato de treino e ocasionalmente sem o buço feito.
O seu maior (e único) divertimento é transformar as tarefas diárias em haveres e deveres, contribuições e deduções. Assim uma actividade simples como lavar a loiça transforma-se num quadro contabilistico, donde frequentemente resultam ganhos e perdas como um copo, um garfo ou um esfregão.

Gabriela Carolina- A mais nova das seis amigas, tem 37 anos. De descendência cabo-verdiana, a sua cor de pele está entre o castanho amêndoa e o dourado. Herdou da mãe as formas curvilíneas e um extraordinário jeito para a dança. É bonita, sabe-o e usa-o. Está casada há três anos com o maior dealer do bairro, mas finge não o saber. Ele nunca escondeu a riqueza súbita. É visto frequentemente ao volante do seu Mercedes SLK amarelo e inconfundível, sobretudo pela Nossa Senhora de Fátima em neon que pisca no vidro detrás.
Gabriela mantém uma relação extraconjugal com o João, que conheceu no dia em que lhe foi instalar a ADSL. É uma visitante assídua do Vai-te Pneu Vai-te, o ginásio do Bairro, para grande desespero do dono, um gigante de 100 quilos só de pernas, que passa a vida a choramingar porque ela não lhe liga nenhuma.

Brisete Constança- Com 40 anos e casada com um ginecologista, esta filha de boas famílias que cresceu no Restelo e acabou a morar na Reboleira, é a dona de casa perfeita. Toda a gente lhe reconhece a arte do seu Cozido, do seu Bacalhau à Mil Diabos ou do seu Arroz Doce. Ultimamente tem feito sucesso com os seus pãezinhos em forma de telemóvel de terceira geração. Tem dois filhos adolescentes, mas não consegue comunicar com nenhum dos dois. Não compreende que a filha se vista como uma prostituta e que ande pelos cantos a suspirar Ai Dessert ou Quero os Morangos com Açúcar e depois diga que está de dieta. Com o filho, simplesmente ultrapassa-lhe ele fechar-se no quarto em frente ao computador a queimar incenso e estar sempre a dizer que vai à rua comprar papéis quando ela nunca o vê a escrever.
Nos últimos tempos desenvolveu uma patologia nunca antes vista que consiste em comprar compulsivamente revistas Maria, tirar-lhes a capa, cobri-las em naperons, fechá-las com ponto cruz e guardá-las por cores em caixas de madrepérola com motivos incas Made in China.

Eduardina Andreia- Esta viúva de 41 anos começou a ganhar a vida como cabeleireira com apenas 15 anos. Aos 21 tinha o seu próprio salão e o recorde inultrapassável de 4534 mises e 9300 brushings. A cor original do seu cabelo é um mistério insondável. Com 25 anos e na fase ruiva casou-se com o seu gestor de conta. Com 28 e na fase morena divorciou-se e voltou a casar desta vez com o seu advogado. Separou-se ao fim de 3 anos e um mês depois passou a loira e a Senhora Rodrigues, esposa dum respeitável construtor civil. Deixou de trabalhar só que passado um ano o marido morreu de ataque cardíaco e deixou-a só com uma herança calculada em acções da Cimpor, terrenos expropriados na Ota, um condomínio em Estombar e uma colecção incomparável de anéis de ouro para pôr no dedo mínimo. Desde aí não voltou a casar nem a mudar a cor do cabelo.
É conhecida na vizinhança como fácil e oferecida, tal a quantidade de homens que frequentam a sua casa. Nunca se deu ao trabalho de desmentir os boatos, mas a verdade é que teve tantas dívidas para pagar depois do marido morrer, que agora ganha a vida a como conselheira sentimental, e ocasionalmente pedicure, de homens com mais de 50 anos com dúvidas sobre a sua sexualidade

Marie Alice- Cresceu nos subúrbios de Paris, donde saiu para viver com o marido polícia nos subúrbios de Lisboa. Tem um filho com 16 anos que conseguiu a proeza de em menos de quatro anos ser expulso da Escola Militar, ser chefe de um gang, ter atropelado um velhote quando conduzia sem carta, estar internado no Júlio de Matos e ter visto todos os concertos dos Ratos do Porão em Lisboa e arredores.
Viciada em Xanax, telenovelas e promos da SIC Mulher, Marie Alice faleceu recentemente quando a correr para ver o Goucha tropeçou na cabeça do urso que serve de tapete da entrada, foi embater na porta do armário onde o marido guarda os casacos, fazendo com que um deles caísse e a arma com ele, que ao embater no chão disparou e lhe acertou pertíssimo da jugular, mas não o suficiente para morrer no momento. Ainda conseguiu chegar ao telefone e telefonar para o 112 mas era dia de greve e estava tudo a protestar lá para os lados do Terreiro do Paço, restando uma funcionária que nesse preciso momento tinha ido à casa de banho porque tinha exagerado na delícia gelada de kiwi nos anos do sobrinho no dia anterior. Arrastando-se com extrema dificuldade pelo corredor forrado a alcatifa, Marie Alice atingiu a porta da entrada mas não a conseguiu abrir porque estava perra desde a inundação que houve no andar de cima. Sufocando e sem forças, morreu como se estivesse prestes a abraçar alguém invisível. Para a família e amigos a posição da falecida é a derradeira prova do suicídio, mostrando que mesmo no seu momento mais desesperado Marie, não deixou de prestar homenagem à sua cantora preferida, a grande Amália Rodrigues